sábado, 29 de abril de 2017

A Espiritualidade da Idade Média


Gênesis da Espiritualidade Medieval

Paulo da Costa Paiva, OFS


            A espiritualidade medieval, pode-se dizer que poderia ter iniciado pelos reinos bárbaros que se edificaram sobre as ruínas do Império Romano ou através do surgimento do monarquismo, sendo considerado como o grande fenômeno da idade média. Não se pode esquecer também dos soberanos carolíngios que tinham como ideal de construção de uma sociedade cristã regendo a Igreja como regiam a sociedade profana, onde se consideravam como responsáveis pela salvação do seu povo. A Igreja nesse período foi particularmente atraída pelos textos do Antigo Testamento, vivenciada num período onde o ocidente superficialmente cristianizado e que o poder centralizador buscava unificar com o  apóio do clero. E para se concretizar seus objetivos foi necessário o apoio dos soberanos, impondo como força de lei os decretos eclesiásticos, obrigando o povo a se batizar, impondo uma respeitosa submissão ao clero e total obediência aos superiores hierárquicos, numa velada pratica judaizante no seio cristão como a assimilação do domingo ao Shabat e a obrigação legal do dizimo e etc.

            Nesse período também foi qualificada pelo seu espírito litúrgico, sendo conhecido como civilização da liturgia. Por esse motivo influenciado consideravelmente pela tradição do Antigo Testamento, onde se via um grande zelo litúrgico.  O culto prestado a Deus só seria possível pelos seus ministros ordenados mostrando sua fundamental importância sendo eles o elo entre Deus e o povo que ficavam geralmente numa entediante passividade que pouco ou nada entendia dos ritos e cânticos em latim que estranhamente acompanhava por obediência. Na dimensão moral conhecida como a moral carolíngia, buscava conscientizar os indivíduos sobre as exigências éticas do cristianismo, reproduzindo ao domínio político as noções sobre justiça e virtudes através da ideologia imperial. O soberano tinha a função junto a sociedade e a Igreja de ser o verdadeiro pastor responsável pelas almas, dessa forma tanto o rei como toda nobreza estavam a serviço da Igreja assim como todo o povo em geral.

            Percebe-se claramente o esforço dos leigos em geral de uma busca de maior intimidade com Deus, apesar de toda resistência por parte do clero resumindo a fé dos cristãos em participar das missas dominicais, das penitências (Jejuns e abstenções...) e de pagar o dízimo. Muitas das  vezes buscavam se aprofundar dessa mística sem nenhuma orientação da Igreja correndo grandes risco de cair nas heresias, e foi nesse período  diante dessas situações e da proliferações de crendices e superstições que a Igreja acolheu certas orientações de piedade popular que lhe apareciam compatível com a doutrina cristã como o culto dos mortos, a festa de todos os santos, veneração aos anjos.

Continua...

Pax!

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